já abri(li) o presente

aqui há uns meses escrevi esta nota no meu diário de bordo:
"depois, uma imagem linda da cascata cor-de-rosa... porque é que eu a vejo assim? não é nada, é a montanha de água lilás. agora até a vejo acocorada por debaixo de um arco-iris. ainda não a bebi mas tenho cá uma vontade, que me apetece largar tudo e ir a correr buscá-la".
foi assim, depois de teres falado no livro do pepetela. coloquei este relato de viagem porque precisava de falar dos pensamentos que me acompanhavam.
é tão simples, dizias, um livro de bolso e custa aí à volta de cinco euros, parece infantil, mas não é. e depois tem personagens curiosíssimas com um nome... deixa lá ver se me lembro...." e não te lembraste, pois disseste uma palavra engraçada que depois me fez rir quando eu descobri que eram os lupis, lupões e jakalupis. na verdade quero saber o que acontece aos poetas e sonhadores nesta trama. provavelmente saberei pois a vida bem me tem revelado, mas fico sempre curiosa ou talvez seja uma forma de ao rever-me aceitar melhor a minha crosta.os outros já sabemos como se besuntam todos nestas coisas da corrida ao ouro.
nesta altura dos presentes debaixo de árvore iluminada lembrei-me de me oferecer.
agora mimo-me. pus dedicatória e tudo. não, foi só assim: Natal de 2009.
embrulhei e fiz um laço de papel com categoria.
desembrulhei-o e pu-lo na cabeceira mas só ontem o bebi.
deixei-me mesmo perfumar pela água lilás.
lareira acesa e tudo. enquanto esperava pela mãe já ao final da tarde. depois só interrompi naquele espaço em que estivemos em conversa quente com o mano mais velho a mãe e os miúdos. mas aquelas personagens seguiram-me e antes de apagar a luz já me tinha despedido. vi a data. foi do período de 83 a 99. enquadrei a inquietude. saboreei as palavras. digeri a mensagem.
este é um daqueles tesouros ("deus das pequenas coisas")que me fez prometer-me, vou contar a estória. aos pequenos e aos mais velhos. o isaac vai saber a estória dos cambutas e dos outros maiores.
aquela do tempo em que os animais falavam e dos uns seres que viviam felizes apesar das diferenças. da vida na montanha e na planície. até ao dia em que sentiram o perfume da água lilás.

em estado de graça

cou... cou... (estou, estou)
e com um jeitinho macio
desliza em passos de anjo
com tudo o que se parecer com uma pequena caixa que cola ao ouvido
vira-se, e acompanha a expressão com a sua linguagem imitando as situações que vê no ecran dos dias, vistas de lá de baixo da sua altura e acima de todos os nossos melhores sonhos. eu embevecida tento acompanhar e solto-me descendo ao solo da paixão. amo-o tanto. chamo a isto um estado de graça e não quero acordar.
hoje teimei em expressar mas até temo não estar à altura de todo este estado de graça.
começa todas as frase com olha! e depois de uma pausa, exprime todas as opiniões que tentamos decifrar enquanto os sois desfilam, o ar perfuma-se de sul, harpas e quissanges exibem a sua expressão maior e enebriam todos os presentes.
se ficasse condenada a um não futuro sem sonhos já teria ganho uns quantos de bónus em momentos de sonho.
isto de ser avó babada é uma chatice de bom!

do António Jacinto - Canto interior de uma noite fantástica

sereno, mas resoluto
aqui estou – eu mesmo! – gritando desvairado
que há um fim por que luto
e me impede de passar ao outro lado.

ante esta passagem de nível
nada de fáceis transposições
do lado de cá – pareça embora incrível
é que me meço: princípio e fim das multidões.

não quero tudo quanto me prometem aliciantes
nada quero, se para mim nada peço,
o meu desejar é outro – o meu desejo é antes
o sesejo dos muitos com que me pareço.

quem quiser que venha comigo
nesta jornada terrena, humana e sincera
e se for só – ainda assim prossigo
num mar de tumulto, impelindo os remos sem galera

que venham glaucas ondas em voragem
que ardam fogos infernais
que até os vermes tenham a coragem
de me cuspir no rosto e no mais.

que os lobos uivem famintos
que os ventos redemoinhem furiosos
que até os répteis soltem seus instintos
e me envolvam traiçoeiros e viscosos.

que me derrubem e arremessem ao chão
que espezinhem meu corpo já cansado
à tortura e ao chicote ainda responderei não
e a cada queda – de novo serei alevantado.
e não transportarei a linha divisória
entre o meu e o outro caminho
mesmo que a minha luta não tenha glória
é no campo de combate que alinho.

assim continuarei a lutar, ai a lutar!
num perigoso mar de paixões e escolhos
e – companheiros – se neste sofrer me virdes chorar
não acrediteis em vossos olhos!

António Jacinto

afagos de mel

Sinto o afago de um beijo maroto
do vento que dança entre os dedos dos pés
sinto o roçar das asas de pluma
que em dança cruzada me embalam à vez
num gozo de abandono na direcção do céu
marco o compasso, jogo o jogo que quis
na força de peito e gingar de quadris
entro na dança de luz do escuro dos olhos
sinto o balanço e descanso o sorriso
num geito maroto no canto da boca
ainda com fresco sabor a mel

só mais uma laçada

só mais uma laçada para acabar esta volta
abertos e fechados, um dois três
sem apertar muito o ponto que pode fechar o caminho
sem alargar demais também, não vá ficar de viés
muito certinho não fica, posso tentar outra vez,
aos pontos soltos dá-se uma àchega
aos nós rebate-se, desfaz-se e rés vez
aos remates chegaremos, numa paciência talvez.
e vamos devagarinho soltando as voltas
de vida na vida de pontos cruzados
enlaçados de fitas feitas grilhetas
feitas grinaldas, feitas c(d)or e coragem
só mais uma laçada, tricotemos

caminho para sul

sente-se o cheiro a tinta fresca
as paredes vestem-se de novo
e a luz entra aos borbotões
numa invasão de euforia contangiante

esqueço-me dos cheiros antigos
e as roupas novas de momentos de festa
desvanecem as imagens de registos do luto
impregnando o ar de novos e quentes odores

não procuro porque temo o encontro de desencontros
se me quedo a pele cola-se à vertigem da solidão
então, fixo o pendulo fiel da justa verdade
e a realidade mostra-se na montra colorida dos dias

então disfruto, abraço o novo e desfaço o velho
emprenho de sons numa luxúria de cor
dispo o corpete e experimento o manto de linho
e deleitada deixo-me abraçar completamente rendida
pela doce sensação do caminho para sul

parabéns mãe!

hoje é o teu dia mãe
e por mais que diga tudo fica muito áquem
daquilo que faz de ti a minha mãe
enlaço as mãos nos poemas de josé gomes ferreira
que encontrei compiladas por Luis Rodrigues
e um bocado ao acaso
um bocado com sentido sentido
vou-te oferecer este bouquet


como que à laia de pensamento

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão, (para ti)
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las. (para ti)

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino. (para ti)

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.


como que à laia de um desejo...

Quero voar
-mas saem da lama
garras de chão
que me prendem os tornozelos.

Quero morrer
-mas descem das nuvens
braços de angústia
que me seguram pelos cabelos.

E assim suspenso
no clamor da tempestade
como um saco de problemas
-tapo os olhos com as lágrimas
para não ver as algemas...

(Mas qualquer balouçar ao vento me parece Liberdade.)


como que à laia de um suspiro...

Porque é que este sonho absurdo
a que chamam realidade
não me obedece como os outros
que trago na cabeça?

Eis a grande raiva!
Misturem-na com rosas
e chamem-lhe vida.


como que à laia de um desejo...


Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...

Se houvesse degraus na terra...com Herberto Helder

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Herberto Helder

mãe consegui! começo amanhã!...

ele queria tanto...
é que ele sente que lhe correu muito bem a entrevista, ele diz que ainda lá esteve cerca de uma hora. foi diferente, muito informal e deu para falar sobre tudo.
Isto foi segunda feira e como ontem foi feriado...
pois, ainda não lhe responderam...
e comentava eu com a minha colega que ainda anda na recta final da licenciatura a mastigar também amarguras antecipadas do caminho
pois, o filho, anda às voltas à procura do estágio... é que isto depois da licenciatura... é complicado.
É que já começa a tornar-se difícil aguentar aquele cansativo call center que lhe ocupa os fins de dia e lhe ajudou durante os anos de prova a aguentar propinas públicas quando as dores das voltas burocráticas e inquisitórias de bolsas anunciadas ficam no caminho do desgaste dos dias.
e sabes? ele gosta mesmo daquela área para que se candidatou. é de execuções. está à vontade diz ele...
juntei a palavra ao toque do moche e não o ouvi do lado de lá. mas às onze horas não era muito normal.ele já devia estar levantado...
insisti, e agora ele do lado de lá eufórico... a mãe é a primeira a saber porque me ligou e eu acabei de receber a resposta à candidatura. era também a resposta ao não ter respondido ao primeiro toque.
mãe consegui! começo amanhã!...
chorei, claro que chorei.
mãe recomponha-se, vá lá, e eu não conseguia parar! e as lágrimas saiam misturadas com risos e frases embargadas pelos muitos dias de partilha coroados de casos.
mais uma etapa. temos candidato à barra.
partilhei logo a seguir com a filhota... mãe, não estou a perceber comigo não chorou, e eu de novo, mas tu és a menina prodígio... e este foi um parto mais difícil filha... rimos juntas.
prometemo-nos o almoço a comemorar, mas hoje não dava.
então e o zaac filha, só perguntei no final... ele está bem mãe. desligamos a saborear o momento. não consegui ainda falar com o Jokas, está nas aulas mas já mandei uma mensagem. e depois muitas mais a todos o que partilham esta nossa luta.

viajando com benetti

espero



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viagens solitárias.... hoje na espiral naveguei por aqui

a viagem pelo tube sempre me pareceu curiosa
antes até misteriosa
talvez por isso eu sempre faça a similitude
tube, tubo, canal.
a aventura começou com viagens algumas interrompidas
pela inexperiência
depois a súbita glória da falsa facilidade
e o cruzamento de espaços antes impensáveis
então, o passado torna-se presente, o futuro já ali
os caminhos acessíveis
tudo à mão num clique
saboreio o calor de sons cores e cheiros próximos e familiares
mas também outros a que de início reajo com alguma estranhesa
sabores direi frios, como os que hoje experimentei.
hoje na espiral naveguei por aqui

couchsurfing

sem itinerário pensado surgiu a possibilidade de nos darmos a conhecer
os nossos caminhos,os nossos percursos, as nossas viagens
sem planear, depois da partilha de um almoço servido à pressa
atrevo-me a seguir o programa do Couchsurfing,
acolher um viajante na minha própria casa,
vou adoptar a tua filosofia,
albergar-te no meu espaço
e colocar-me no teu lugar

vou começar por aqui25 de Novembro pela mão do adolfo

trouxeste-me a mensagem que recebi com o mesmo carinho com que guardo os teus versos
tem a mesma carga da tua luta e combate
com que tratas e com que bates o destino
pensei então
vou colorir as páginas deste caderno de viagem
e colorir os dias com novos inventos de percurso
vou começar por aqui

vou viajar contigo

estou a guardar-te um recanto
quero mimar-te com cores e cheiros de azul
polvilhar com nuvens doces de brancos cristais
quais estrelas que recolho todos os dias para ti
estou a guardar-te um recanto
em que o meu colo quente te repouse
e me embales com os teus doces angelicos sonhos
e me reinventes com as cores dos teus sorrisos
amanhã vou-te inventar um planalto do sul
e vou viajar contigo

fado do encontro

a jovem patrícia largou-o no banco do face eu apanhei-o
e desci com ele o rio para um reencontro nestes caminhos.

"eu já vou descendo o rio
na foz revolta, fecho os olhos...tão perto, que desperto..."

"vou andando... tenho o sol à minha frente...
tão quente, brilhando, que a saudade me deixou...
ao longe distante, fica o mar no horizonte
é nele por certo onde a tua alma se esconde carente, esperando esse mar..."

a execução

apanheia-a sem querer quando o jovem ao meu lado recordava o bairro onde nasceu.
era naquela rua. não conheceu? na primeira entrada...
eu acenava com a cabeça e tentava localizar. eu ouvia-o mas na minha cabeça a confusão da sucessão de imagens demolidoras empapavam-me o cérebro.
de repente deixei de o ouvir e apanhei-me a falar como se o estivesse a descrever o capítulo do romance que me acompanhava viagem acima dos dias.
eu tinha parado na imagem avassaladora da execução.
foi assim que a descrevi. estás a ver? quando mandam as pessoas ajoelhar e dão a ordem? e assim que o vejo, dizia eu sem deixar que me interrompesse. e ele... olha como ele olha o vazio, como se mais nada lhe importassse... ele está pronto. está anestesiado. ele perdeu tudo o que tinha... disparei eu de um fôlego.
o jovem ficou em silêncio. pedi-lhe que me mandasse a imagem ao que anuiu acenando apenas com a cabeça e sem me olhar nos olhos...
no dia seguinte o fundo do ecran que o acompanha já não mostrava a sua antiga nova york iluminada de sonho. tinha sido substituída por esta... afinal ele naquele dia de novembro, tinha assistido com olhos ainda de criança... à execução.




"Era cedo, de manhã. Mas no bairro já havia pouca gente. Uns foram expulsos noutras fases das demolições, outros já tinham ido trabalhar (nas limpezas, nas obras...). Estava lá a polícia e alguns jovens de esquerda reclamavam direitos. Os poucos moradores que se atreveram a ver as suas casas cair estavam sentados em cima dos telhados, calados. Como se calam aqueles que sabem que já está tudo perdido. Mas, mesmo assim, queriam evitar o inevitável - a demolição das barracas ilegais a que eles tinham dado um outro nome: lar. Esta foi a minha primeira capa no jornal Público. Desde então vieram outras capas e outras demolições. Mas nunca hei-de esquecer o sinal de pesar, paz e resignação do homem sentado na cadeira.
ENRIC VIVES-RUBIO"

dia de reis

hoje trocamos as voltas ao calendário
foi mesmo num sem querer
entrei na pastelaria só para comprar o pão fresco do dia
já a noite entrava e tinha abrandado a chuva que todo o dia
marcava os tempos em um compasso frenético.
para uma chuva que quase se estreia em temporada,
veio com a força estrelante num grande espectáculo.
cheirava a doce quente. com cores em desfile.
o sorriso jovem simpático masculino do lado de lá dos sabores
espreitou-nos, e depois do habitual mafrense fatiado,
aquele... e que mais?, guiou-nos os passos do olhar
para três pares enfileirados de autênticas grinaldas douradas
ostentando o brilho de pedrarias enormes encimando-as reluzentes.
se os olhos compraram a mão só teve que trocar a nota já sem significado
pelo par quente acomodado já por baixo do saco pardo.
o mafrense e o rei.
depois veio a festa.
a mãe esquecida das dores dos dias e da abstinência ditada pela doença
pedia mais, e os lábios trémulos deslizaram pelo aveludado do porto alegre
que entretanto se lhe juntou
porto alegre. é este mesmo o nome. porto alegre.
e depois junta-se-lhe um tawny, o do requinte.
pois foi com requinte e sobretudo prazer que hoje lhe trocamos as voltas
e festejamo os reis num dia qualquer de novembro já frio e de chuva.

desafio

junta a tua à minha verdade
cola o sussurro dos teus passos aos meus
a alma, essa mesmo sem querer já ma entregaste
no dia em que a minha a ti sorrateira se te juntou.
permite-te gozar a luz amena e doce
ousa deleitar-te e provar o doce licor do amor
não te escudes em desverdades cautelosas
não te esquives dos tropeços do caminho
que a cada queda te premearás
a cada entrega te surpreenderás
e para trás ficarão as sombras do luto de um tempo
de um espaço que em tempos tomaste por teu.

fiquei a pensar... no cabo

pois fiquei a pensar,
no homem pequeno e insignificante
que esticava o braço e era aplaudido
tinha bigode e cabelo colado
moreno, desengonçado, desengraçado,
quase cómico de convincente
mas que comandava exercitos de gentes.
sabiam que antes de ontem,
e se não assistisse ao aniversário
da desvergonha feita em legos de pranto
eu não tinha ouvido dizer que era
um simples cabo do exército que brilhou
numa noite escura de cristal

o número nove o ano nove no dia da queda do muro


estava atenta ao que se passava ao meu redor, por acaso até não ía distraída.
as conversas à volta misturavam-se mas este era um dia em que se comemorava a queda de uma vergonha feita em muro, e não me podia passar despercebido.
a acrescentar o facto, de eu estar até digamos que um pouco incomodada por já terem passado vinte anos dessa existência, e eu tinha-me distraído... sim, só podia estar distraída, porque o facto parecia-me tão próximo...
depois, uma série de acontecimentos foram desfilando em imagens através do vidro...
e diziam-me que tudo tinha começado muito, muito, lá atrás...

um povo. um cabo.
um povo que vai atrás do cabo.
um povo que sofre devido ao cabo,
e aos muitos que foram atrás do cabo.
um povo que dá cabo do cabo.
um povo que se orgulha do seu feito,
mas que ao fim ao cabo não se entende...
depois do cabo vem a fria do oriente e do ocidente,
em que se divide
e de novo um povo vive atrás de cabos
olhando-se através deles sem escolha,
se humilha, fere, foge, rasga, se desonra, esconde, amarga,
desobedece e morre... porque ergue um muro.
hoje, já não havia o muro
e a multidão celebra de braço dado em hino, esquecendo lembrando os outros muros.

assim, desfilaram números e o número nove do ano nove via-se a cada marco, como que em compasso, alertanto para a não casualidade
assim procurei a origem e cheguei aqui
porque no ocidente só podia ser cartesiano

Espiral de Lituus
A Espiral de Lituus é a curva plana na qual o ângulo é inversamente proporcional ao quadrado do raio, descrita em coordenadas polares pela equação r2 = a / θ
Foi publicada pela primeira vez em 1722 pelo matemático inglês Rogert Cotes. Note que o lituus se aproxima cada vez mais da origem mas nunca a alcança. O lituus deve seu nome de uma antiga trombeta romana chamada lituus. Na arte, a espiral do lituus é uma forma recorrente chamada voluta. O lituus era também o bastão curvado usado pelo clero romano antigo. Os padres foram chamados "augures," que tentavam predizer o futuro, e a forma aparece nas moedas romanas

o augures levou-me a dar mais umas voltas, e que batiam nisto:
- “O número 9 tem um significado especial, em quase todas as crenças, na mitologia de diversas culturas, estando associado em quase todas ao término de um ciclo e início de outro superior.
Nove é também o número de esferas celestes, de orifícios do corpo humano e dos meses de gravidez.
É o único cuja soma do produto da multiplicação na dá sempre Nove; - Como a Lei do Eterno Retorno
É o quadrado de três (Perfeição ao quadrado)
Para os católicos, o múltiplo da Santíssima Trindade;
O Céu, tal como o Inferno, têm Nove círculos;
Estrela de nove pontas, ou eneagrama;
princípio da Luz Divina, Criadora, que ilumina todo pensamento, todo desejo e toda obra,
O número 9, é conhecido também como o número dos Iniciados e dos Profetas. Alguns dizem que 9 é o número do VERBO, logo o número de DEUS!”

a paz do azul

Mergulho no fundo azul da alma renovada
ilumino o corpo e descanso as vestes do infortúnio
aproveito os rasgos de luz que se avizinham
abraço a luta e desembainho a espada
que destreinada e baça de tréguas não desejadas
de desencantos e amargos de espera malfadados
aguarda impaciente e crente
que ventos de esperança desnudem e esventrem a terra e dêem ordem de mudança
então redobro a força que grita clama e reclama a caminhada
exploro cobro, cubro e desbravo o novo desconhecido caminho amante
até que o odor da dor se banhe em mel de vida mansamente
e o teu perfume finalmente invada e envolva o espaço vazio
e traga a paz do azul do fundo da alma renovada.

despedidas

agora com o caderno novo já me pude dar a certos luxos.
fui.fui ao ponto de encontro. hora marcada e tal. até demorou um pouco e eu já estava a ficar impaciente.
foi bom ver as coisas iguais do mesmo sítio e com as mesmas personagens com um rosto completamente diferente.
elas eram iguais ao que eram, certo?...
então eu é que estava mudada,era isso.
vi-as num outro plano. movimentavam-se num espaço fora do meu.
estranho não é?
ouvi pedaços de conversas, pedaços de encontros, de risos e espasmos insanos.
à hora certa os actores tomaram os seus lugares;
alguém no guichet encaixava, ordenava com o olhar os objectos de sempre à venda e tentava reconhecer outro alguém entre os presentes a quem pudesse impingir a mercadoria.
alguém era posto na ordem porque estava fora da ordem do caos normal.
muitos aguardavam junto a mim do lado de cá o mesmo que eu, e eu não estava entre eles. o ambiente tornava-se neste repente iluminado apesar do dia cinzento este outono tinha roubado toda a luz ao verão. assim se explicava a pouca claridade do espaço há uns meses atrás, naquele mesmo espaço onde já não velavamos os corpos inertes da urna ao meio da sala.
esta tinha sido substituída pela peanha antiga mas bem envernizada onde objectos de arte ganhavam agora vida.
finalmente, a passo firme dirijo-me para a eliminatória.a fase final deste concurso da vida.
passei.
foi uma vitória. disse depois aos filhos. obrigada.
não, mãe. não tem nada que agradecer. deve-o só a si.
estava emocionada.foi uma batalha.
despedimo-nos com um aperto de mão forte.
bom natal.disse-me. boas entradas, um bom ano.
vêmo-nos no início de fevereiro.

esperanças

desalinho, faço, desfaço e reinvento
desafio-me sem me atropelar, num espaço vivo de esperanças.
tenho um caderno de folhas de vida a cheirar ainda a novo
então, pego-o com o cuidado, vejo-o e revejo-o vezes sem conta,
cheiro-o, aperto-o e aconchego-o ao peito, com ambas as mãos,
descanso a cabeça e adormeço finalmente deleitada.
agora já posso sonhar comigo.

em pleno

em pleno, num desafio maroto,
sigo bamboleante
no desfile desta passerele da vida.
olho nos olhos a multidão de gentes como eu,
reencontro-me e mostro-me sem receios.
afinal de contas, são apenas réplicas de vozes
muitas vezes caladas pelo amargo dum não vale a pena,
dum faz de contas que não foi, ou tanto faz,
sigo como quem ousa, cria e recria,
marca, desmarca e diz não.
não, não quero mais passar em negro,
não quero mais dizer que sim, porque sim.
abafar a voz do corpo que grita por socorro
e se desprende da mente paralisante do branco dos receios,
que repetidamente lhe recusa os passos
e teimosamente tolhe a razão.

esperança com cheiro de acácias


OMANU VALISANGASANGA!
Sabedoria ovimbundu: Olomunda ño ovio kavilisangi; omanu valisangasanga!
Em Kimbundu: Mulu li mulu kalisange; muthu li muthu alisanga!
-Apenas as montanhas não se cruzam, as pessoas cruzam-se sempre!

hoje no corredor encontrei-te.gostei de te ver,
sempre, o irradiar da tua bagagem
plena, prenha de sabedoria.
trouxeste-me a montanha feita presente em tamanho de encontro
grande e forte intensa de memórias
a lembrar aquela esperança com cheiro de acácias só minha,
aquela que me faz dizer que sei mesmo que nos vamos cruzar.
agora, apeteceu-me partilhar com aquele alguém.
aquele alguém que sabe que é quem é,
e que hoje num dia seu especial vai-me sentir.
agora, agora vou ficar quietinha,
à espera da minha grinalda de bunganvílias.

o meu berço, Viyé (Bié)

estava no cantinho do pensar e falar angola
a ngola do viyé que o carranca me trouxe.
o princípio dos céus e a jóia das águas
que do cunene o melhor nos trouxeram.
ngalangi pela grandeza do acontecimento que nos reflecte,
viyé e as boas novas de tudo o que virá,
Viyé e Ngalangi, mãe das raças do norte, pai das gentes do sul
de cabinda ao cunene,
ngola vens de ngalangi

O mito Ngalangi

Segundo os dados de que dispomos, a lenda sobre a origem do mundo foi recolhida por Keiling (1934) e mais tarde retomada por Child (1964).


A tradução de Luís Keiling é a seguinte: " Um dia caiu do céu um homem que teve o nome de Féti, que quer dizer o princípio. O bom do homem deu em percorrer a terra e notou que, havendo muitos animais, se encontrava um só homem, que era ele. Que aborrecimento e enfado sentir-se tão só no meio dessa criação! Para ver se espairecia, lembrou-se de ir ao Cunene para caçar um pouco. Pega, pois, nas armas e vai em busca de um hipopótamo, que lhe fornecesse carne e gordura. Horas esquecidas esteve Féti à espera de uma peça de caça, quando em vez do suspirado animal vê surgir das águas uma forma humana, muito semelhante a si mesmo: era a primeira mulher a quem denominou Tchoya, que, derivando do verbo okuoya, quer dizer enfeite, ornato, perfeição. E tão bela, tão garrida a achou o nosso Féti que dela se enamorou e com ela fundou a primeira família que pela luz do sol foi alumiada. Passaram dias, passaram meses, e numa bela manhã foram os ecos da mata despertados pelos vagidos de um novo ser, que viera albergar a habitação do felizardo Féti. Não houve ave do céu, nem animal da floresta, que não viesse dar aos pais os parabéns por tão bom acontecimento. Encantados, impuseram os progenitores ao recém-nascido o nome de Ngalangi. Passaram tempos, e eis que em casa aparece um novo bebezinho, desta vez uma menina, a quem chamaram Viyé. Viyé, provém do verbo okuiya, que em português se traduz por vir. Queriam os pais significar que aquela filha havia de chamar a si as populações e ser o tronco de uma grande família. E Viyé veio a ser a mãe das raças do norte, isto é, das terras do Bié, enquanto foi o pai das gentes do Sul. Assim contam os ngalangi e terminam por afirmar que deles descendem todos os habitantes do Bié,Huambo,Sambo, Cuíma e Caconda".

entretida a fiar

estava mesmo entretida, como que a fiar.
foi assim que me vi. sentada na roca a fiar.
não deixarei que me sangrem os dedos.
de forma delicada e aproveitando a calmia dos dias deste estado de alma que agora me acompanha, fiarei.
fiarei até que do fio se encha o rolo,
e do rolo ainda me sobrem forças de tempo,
para tecer.
Das cores me ocuparei com as que a terra me invadiu (em)a vida.
quentes de volúpia e desassosego
fortes de paixão, negras como o veludo doce da paz.

onde escondi os pedaços de memória?

vieste com o sol ainda quente e foste com a chuva. fizeste-me bem. gostei da presença serena. da ternura quase feminina. foste simpático e correcto, gentlemen, polie. no fundo, amigo mesmo. estavas era "roto" de cansaço de calcorrear os caminhos a vender sonhos iguais aos da menina que trazias debaixo do braço, e me mostraste embrulhada em folhas de papel feito livro para as crianças e grandes que te ouvem por todo o lado, chegando mesmo a cruzar o oceano. aquela menina que vendia sonhos e encontrou o seu príncipe. o poeta mudo.
sabes que já comecei a colar no espaço os pedaços de memória? resolvi parti-los aos bocadinhos. acho que dá para saborear melhor. pensei depois de os olhar assim mesmo de relance. parecia tudo tão longo que não dava para apreciar... já me faziam falta amigo... na realidade cheguei a amaldiçoa-los por se terem afastado de mim tanto tempo. era como se uma parte de mim se tivesse apartado.
agora prometi-me. assim mesmo. aos pouquinhos, vou desenrola-los um bocadinho de cada vez e colando até acabar. fica dentro da viagem na mesma, mas noutro cantinho da carruagem.

amanhã, talvez um dia...

de olhos cemicerrados imagino a dança ondulante num espaço inexistente. corpos colados esquecidos do tempo do mundo. vagueamos apenas completamente alheios aos coros de vozes inquisitórias dos costumes. e como se nessa esfera estivessemos completamente imunes aos golpes de luz que nos fazem visíveis e nos obrigam a simular uns passos mais arrojados ou titubeantes. apenas queriamos estar. saborear o toque e inalar o duplo odor deixando-o completamente confuso ao retirar-lhe a identidade. quero continuar. reinventar-me descolada deste mim e num não existir de olhos vigilantes da consciencia. agora quero mesmo continuar a dança...
amanhã, talvez um dia, vejo-me contigo a tocar para nós uma sonata a quatro mãos.

a visita

estava sossegadinha quase enroscada no banco,encostada ao vidro a tentar não adormecer no quente morno do entardecer. acho que já estava mesmo a dormitar apesar dos safanõesinhos de devez em quando a fazer-nos olhar melhor a paisagem. desculpa canhanga mas acordaste-me. mas ficas tanto tempo sem me visitar, e agora vens assim de repente sem me avisar? eu tinha ficado só com aquela recordação do Umpulo do velho nos tempos de ainda muito jovem a acompanhar as crianças do senhor da loja em frente à administração. sabes que ninguém esquece o mais-velho? ele habita na vida de todos aqueles que preencheu e amou. depois, misturas-me nos sonhos alheios que nem ouso fazê-los meus. sabes que te podes tornar cúmplice de um salto? e sem rede? e que depois nem a coroa de bunganvílias me esperam e não vou ter como voltar?
e agora? dispo-me de faz-de-conta ou a sério? agora fizeste-me mergulhar no verde fundo a pensar no cheiro do mar. é que as lágrimas são mesmo salgadas. não, não são de tristeza. são daquelas silenciosas que se alimentam do estado do espírito e desgovernam o nosso eu que teima ser como deve ser.

saltar o muro

quero saltar o muro. deixar para trás o quintal que jaz putrefacto de sonhos mal sonhados. saí ilesa envolta numa escuridão de luz. deixei para trás as trevas brancas leitosas de uma cegueira inocente arrastada por esperanças de muitos amanhãs. às apalpadelas te procuro à espera que estejas do lado de lá adiando apenas a partida, na esperança de não ter que voar sozinho. agora que cheguei aqui, fico entre o impulso insano de saltar sem rede e receber uma grinalda de sonhos de bungavílias e a ideia de cristalizar colada ao muro até com ele me confundir na escuridão branca dos silêncios.

a corrida ao ouro e a montanha da água lilás

estava cheia de preguiça de descer nesta paragem. mas tenho que ter coragem. é que a bagagem é demasiada. tanta coisa arrecadada durante esta jornada que se torna difícil segurar, arrumar ou até estabelecer prioridades... afinal o que é que eu entrego primeiro? ou o que deixo em primeiro lugar? às vezes torna-se-me muito difícil.
o bebé começou a andar. é a primeira prioridade,claro está. mas é a carga mais pesada porque para a depositar é necessário embrulhá-la com muito cuidado, sobretudo muito carinho. um presente de festa que merece toda a atenção.
depois, uma imagem linda da cascata cor-de-rosa... porque é que eu a vejo assim? não é nada, é a montanha de água lilás. agora até a vejo acocorada por debaixo de um arco-iris. ainda não a bebi mas tenho cá uma vontade, que me apetece largar tudo e ir a correr buscá-la.
"é tão simples, um livro de bolso e custa aí à volta de cinco euros, parece infantil, mas não é. e depois tem personagens curiosíssimas com um nome... deixa lá ver se me lembro...." e não se lembrou, pois disse uma palavra engraçada que depois me fez rir quando eu descobri que eram os lupis, lupões e jakalupis. na verdade quero saber o que acontece aos poetas e sonhadores nesta trama. provavelmente saberei pois a vida bem me tem revelado, mas fico sempre curiosa ou talvez seja uma forma de ao rever-me aceitar melhor a minha crosta.os outros já sabemos como se besuntam todos nestas coisas da corrida ao ouro.

"Só quem tem uma mente aberta sabe julgar de forma objectiva"

Hoje colei aqui esta blogada do Penim porque gostei mesmo.
convidou-me até a responder. parece coisa complicada não é? mas aqui neste espaço como os comentadores não têm que ser credenciados, referenciados ou "cunhados" eu até me tenho atrevido, para mim tão só num exercício de escrita, a comentar.

Citação de Outono

Todos vivemos integrados em grupos diferentes. As crianças convivem com crianças, os adolescentes com outros adolescentes e assim sucessivamente, em todas as faixas etárias. Em muitas festas de conhecidos meus, os filhos ? mesmo que não fossem muito jovens ? não estavam presentes, tinham saído. Já para não falar dos grupos políticos e dos grupos étnicos. A sociedade é feita de barreiras, de silêncios, de indiferenças, de preconceitos.
Todos nós assimilamos os preconceitos do nosso grupo social, político e cultural: falamos apenas entre nós, lemos os nossos jornais e vemos os espectáculos televisivos que nos agradam. Quando nos deparamos com alguém que é odiado pelo grupo, a antipatia é imediata. O mesmo acontece com os livros e com os filmes, que nem sequer são investigados, mas logo descartados. Nem sempre lemos bons livros nem vemos excelentes filmes: seguimos cegamente as indicações do nosso grupo.
Mesmo assim, acontece conseguirmos libertar-nos desta escravidão do preconceito e, por instantes, abre-se-nos a mente e temos coragem para falar com esta pessoa, ler aquele livro e ver o filme que rejeitámos. E acabamos por constatar, estupefactos, que encontrámos algo de belo, interessante e divertido. Abre-se-nos uma perspectiva nunca antes imaginada.Só quem tem uma mente aberta sabe julgar de forma objectiva.

Francesco Alberoni, IONLINE, 06.10.2009

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Publicado por F. Penim Redondo
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Hora da publicação: 07:45
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e foi assim:

gostei. afinal de contas a questão é começar pelo núcleo familiar. estava aqui a pensar. não passa só pelos aniversários casamentos, baptizados. mas tenho tido o hábito, e desde há muito que me lembro que é assim com a nossa família. convivemos entre netos e avós, pais filhos, primos e tios muitos. e foi um legado que passei aos meus filhos. e onde felizmente já incluí o meu neto que chegou há quinze meses e já participa. e vai ser assim sempre. comunhão intergeracional e multicultural convenhamos. não estou a falar de tom de pele, isso já se deixou para trás porque somos todos bem coloridos, mas de culturas diferentes. a dar e receber bem, entre moambas e cozidos à portuguesa passando pelo chacuti e a pasta... kizombas e corridinhos, valsas,tangos e marrabentas. tão simples que subrescrevo Alberoni hoje e sempre.

coração de mãe

recebi esta mensagem fresquinha
trazia a mãe embrulhada lá dentro e a mim também
e a todas a mães do mundo que têm um cordão preso ao coração.
soube-me tão bem, que me senti a flutuar e toda eu fiquei reduzida a coração.
peito redondo, vermelho, feito em dois gomos inchados de paixão.
ainda lhe sinto o sabor.
a leitura, trouxe-me a mana hoje ainda com o coração dorido duma ferida recente.
mas estava tão feliz com este bouquet, que não aguentou em partilhar.
então resolvi partilhar convosco uma das coisas mais bonitas que li sobre o coração de mãe.
bem, na verdade foi ontem, que recebi a mensagem e estive, vejam lá, até agora, a fazer caber aqui uma mensagem em power point. e na realidade não encaixa. após várias tentaivas frustadas congelei-a nos rascunhos e agora resolvi retirá-la e partilhar convosco.
eu digo na mesma sem o power point, espero que fiquem com uma ideia. depois, podem encontrar este miminho no livro do planeta tangerina. é da dupla Isabel Minhós Martins e Bernardo Coelho. Começa e termina mais ou menos assim:
"afinal o coração de mãe não é só um músculo que bate sem parar...
é um lugar mágico onde acontecem as mais extraordinárias das coisas"...
depois o coração gela, dança, fica aos pedacinhos e às pintinhas... delicioso.

um novo conceito


as coisas que ainda podemos aprender num cabeleireiro.
não foi em conversa. claro que não. estava a folhear uma revista, e não daquelas de há dois anos atrás. encontrei esta autêntica revolução.
espreitem o link.www.sheer.it é mesmo um novo conceito.

claro que chorei, confesso

claro que chorei, confesso.
de alegria, sim. Não consegui evitar. estava aq falar com a mana e tocou o moche. é o meu comunicador com o filho mais velho. então filho?
senhor doutor faz favor! retorquiu.
não me consegui conter e os risos atropelaram-se com soluços e meias frases meio desconcertadas. quando a mana se formou eu não chorei... desculpa mas parecia tudo tão óbvio nela, que injusto não é? e tão cedo filha.
obrigada filhos. eu acrescento sempre; e foi no ISCTE e na clássica! na pública! (ainda não sei o que terei contra as privadas...),parece que as públicas me soam a prestígio exigência,essas coisas...
olha filho, é que para vocês, quero o melhor do mundo.
agora falta o jojoka.

A história da Formiguinha que prendeu o pé na neve


A mãe raramente contava histórias.
Era o pai, quando voltava de viagem a cada duas semanas por vezes, que ao cair da tarde no quintal, quando a mandioqueira já não fazia sombra e só nos recolhia, ele punha as cabeças da miudagem do bairro que se juntava a nós, a viajar com ele pelas mil e uma noites, e pelos palácios de jade iluminados pela lâmpada do Aladino, ou a acompanhar as façanhas do Miséria, que andou mundo fora e cá se deixou ficar.
A mãe administrava os cheiros e as cores da casa, da nossa vida.
Houve um dia porém, que a mãe nos surpreendeu. Ainda estávamos no planalto central, com o pai longe no quente da capital a arranjar sustento.
Aqui, fazia frio, boa altura para a mãe fazer a manteiga saborosa, feita como leite comprado cedinho à porta, que se punha a dormir lá fora na varanda, e acordava fresca pronta a por no pão quente acabado de fazer no forno do quintal. Só que nesta altura, não havia cheiro de pão, e a tarde parecia não acabar. A mãe nesse dia não pos a mesa e aninhou-nos à sua volta e começou a história da formiguina que prendeu o pé na neve. Chegou a hora do jantar e a mãe continuava a história acabamos um a um por adormecer.
E é desta história que me lembro contada pela mãe. Todas as outras eram histórias das nossas vivências, do avô, da infância que nos faziam a companhia de todos os ausentes e nosprendia às nossas raizes. Das outras histórias ficou a da formiga que anos mais tarde,já adulta percebi que não tinha sido nada mais do que a única forma da mãe substituir o pão que naquele dia não havia para por na mesa.

Utopia | zeca

Utopia
(José Afonso)

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

esperança cor de cravo

lá vem a Nau Catrineta que tem muito que contar!
e era assim antes de dormir.de tanto ouvir os filhotes hoje sabem os versos de cor.
repetimo-los vezes sem conta.
a história dos marinheiros, a tempestade e o mar, o bem e mal, anjo e o demónio, homem e história, a percorrerem a imaginação dos miúdos, que acompanhavam a odisseia com a respiração presa nas palavras que me iam saindo como torrentes, imprimindo o cenário da desgraça e da vitória do bem sobre o mal.
a História Antiga era outra de eleição. e vistas bem as coisas, pareciam entrecruzar-se. aqui, também o Herodes e o Menino, a perseguição das crianças, a fuga. e finalmente a vitória do bem sobre o mal.
hoje, partilhei com eles as portas que abril abriu passagens do Ary, e a cadência marcada parecia voar nalguns momentos entre a Catrineta e o Herodes, o Anjo e o Demónio. parecia regressarmos à história ao fim do dia ou de animar os serões do antigamente, em que as ouviam deliciados e de olhos arregalados. aí fez-me pensar. ao meu neto vou ter que acrescentar o reportório. não me ficarei pelas naus, e um burrito que pela areia fora fugiu... vou contar também a história de um país muito pobre que mandava os seu jovens dentro de porões para Angola, e que um dia acordou com a esperança cor de cravo.

assim os sonhos têm cheiro

desde que me lembro que a mãe faz as nossas delícias com o cheiro vindo da cozinha. assim o natal ficou sempre para nós com o cheiro dos sonhos. assim os sonhos têm cheiros e os sonhos são cheiros e há também cheiros de sonho.mas os sonhos de sonho são outros e não caducam de facto.
hoje,os caixotes de sonhos(*) fizeram-me lembrar a mãe,só isso.

(*)caixotes de sonhos foi o texto do J.Cê no seu blogue
e foi o meu comentário lamechas, só isso

passar o testemunho | acho que está na hora da quissangua

já tens algumas falhas de memória que em tempos me levou a todos os mundos que ainda não tinha visitado e a lugares onde só a nós nos deixaste entrar.
arrastas os pés que ontem ligeiros, calcorrearam as poeiras e nos ensinaram muitos caminhos.o teu corpo já em vão se esforça para te ajudar a seguir-nos nas nossas pressas de nada.
fazemos sempre as tentativas de longas conversas mas agora ficas-te só por algunmas frases que repetes mais tarde e só nalguns momentos mais felizes te descobrimos, e foi num destes que apanhei e te consegui segurar. não pude deixar de registar, e sabes? acho que o fio que ainda te prende é mesmo este. o da memória feliz dos dias quente mornos. o doutor descobriu a forma de te fazer voltar daquela vez desta maneira, quando te falou em quimbundo e tu só dessa forma respondeste e voltaste do lado de lá. e a mim, tem-me escapado muitas vezes esta forma de te fazer voltar às conversas longas, aos risos e gozos bem gozados.
foi quando me lembrei da receita da quissangua. se dava com milho ou não, podia ser amarela ou branca, essas coisas. Aí juntastes-lhe todos os preceitos, não balbuciaste ou repetiste,nada de incoerências. saíu-te escorreita e firme como nos velhos tempos. foi mesmo ao telefone, naquelas alturas em que nos ficamos normalmente pelo se está tudo bem, e pouco mais. não esqueceste de recomendar que depois vou aproveitar o fermento que fica para as próximas vezes, que fica três dias e cuidado se for na garrafa de vidro ter cuidado porque pode partir com a fermentação. Que dá para fazer com milho mesmo, e ainda deu para rirmos dos tempos que fazias crescer o dinheiro que o pai não conseguia mandar, com a tua bebida proibida que te fez passar uns bons maus bocados na administração. Aquela da denúncia do polícia invejoso que foi inventar bebedeiras à porta e outras coisas más que podiam difamar o bairro quando só vendias às escondidas no quintal das trazeiras o teu "cachipembe", que aliviava as dores das almas dos teus fregueses do "rivingui" e punha o nosso pão na mesa. assim a nossa conversa ficou doce e até nos esquecemos dos teus males de agora mãe. acho que está na altura da quissangua. vou tratar de começar eu a fazer. é que eu depois também tenho que passar o testemunho.

com neruda a fazer-nos entender


Se cada dia cai

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

Acontece

Bateram à minha porta em 6 de Agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!

Pablo Neruda (Últimos Poemas)



Quero saber

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objecto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando barulhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com u te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

Pablo Neruda (Últimos Poemas)


Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em falta não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de Outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.
Pablo Neruda

agora não me apetece

estava mesmo ferrada.
num sono profundo de nunca mais acordar.
acordei com a chamada de atenção
da peça que não encaixava no puzzle
plim! e o balancete lá estava.
kiakiakia dizia com ar zombeteiro
filho da caixa!
estava tão bom o sonho e foste-me acordar com essa mundanice.
porque não balancete?
fiquei chateada...
mas acordei.
agora já não me vai apetecer dormir

como peixe dentro de água

amei.
como peixe dentro de água,não te engasgate.
falaste connosco. com todos os nós do lado de cá.
e sem gagues foste contornando e dirigindo o veículo da linguagem.
escorreita, fresca, fluida e branda.
vou aprender umas coisitas a ver-te.
partilhei com todos inchada de orgulho
só não gostaste daquela do agradecimento, era assunto teu, disseste-me.
trabalho, afirmaste. e aí era teu terreno.
deixa lá, mesmo assim vi os teus olhos brilharem por eu ter contado do teu brilho do dia 11.

a belota já voltou

graças a deus!
a belota já voltou.
é a lufada de ar fresco do espaço
viaja sempre de uma forma descomplicada e sem nada de qué quié, ou novihoras.
acho que já me estava a fazer falta.
até estava a notar pela minha conversa a modos que amorfa.
melhor, lamechas... ou ainda demasiado séria... ou até perigosamente envolvida.
sabem que ela de certa forma e sem o saber, me deu este pontapé para esta estrada?
vou dar uns dedos de conversa até ali à carruagem dela e depois vão ver como venho menos macambúzia.

já começaste a jornada

o ofício que se avizinha fá-lo
ainda antes de o ser
por ser bom conselheiro
já lhe auspiciaram arte maior

sabes que adivinhas o que queremos ouvir
e num passo telepático assumes o controlo
e desfazes-nos com a mágica sabedoria
de que só os dotados da arte maior possuem
e consegues preencher os cantinhos mais estreitos
dos nossos vazios ou tristezas mais escondidas

és o nosso fiel da balança
uma das traves que sempre ajustou os seus pares
para que ao tomarem a forma nela me possa recolher
assim segura, protegida e ao mesmo tempo protectora
no triangulo perfeito que escolhi ter

meu amor tu já começaste a jornada

no dia 11 brilhaste filho

já se torna difícil acompanhar-te os passos
lembras-te? os primeiros foram seguindo os meus
com os manos já a par, na confiança dos crescidos
um dois à frente, um dois atrás,
e volteávamos ao ritmo das músicas
contigo num esforço para não descolar os pés dos meus.
olhavas-me certo de que eras o meu par perfeito.
agora, deixo-me guiar e quase te sigo
e junto-me na alegria, no ritmo, no compasso
de um quase homem menino jovem, feliz
a esbanjar frescura e energia a arrastar a multidão
fazendo-me crer naquele momento,
que por mais feitos ouvesse,
não caberiam nos meus olhos prenhos de ti,
da tua luz, do teu fogo, da tua paixão
minha estrela, meu amor
caminharei contigo na dança da vida
com a imagem do teu sorriso rasgado
a iluminar agora os meus passos

apetece-me

Deambulo inebriada nas palavras que encontro
Procuro a invenção de um espaço que faço meu
e numa dança tântrica deixo-me possuir
e não tento, não quero, não procuro resistir
Apenas sonhar os sonhos de quem sabe sonhar

Agora fala o Preto

Esta nota fez-me lembrar um episódio engraçado que não pude deixar de partilhar.
ainda por cima num blog delicioso, fresco e acolhedor: é uma professora que dizia: "...Hoje vou deixar as minhas primeiras impressões do 6ºJ, uma das minhas turmas de Percursos...até porque tenho muitas amigas por aqui, neste meu "cantinho".
Pois bem...Fui recebê-los à sala, com a DT...e, para meu espanto, dois alunos desataram a rir, quando lhes disse que me chamava Isabel Preto. Claro que foi contagiante e os dez presentes desataram a rir!
Após a surpresa reagi, fiz de conta que não era nada comigo. Fui perguntando os nomes deles e a cada resposta, também eu desatava a rir, sendo que à minha volta se ia fazendo um silêncio enorme! Por fim perguntei-lhes se era agradável ouvir rir dos nomes deles, até porque eles tinham nomes bem mais "estranhos" do que eu...expliquei que cada um tem o seu apelido e isso não é motivo de riso, pelo contrário, temos que respeitar os outros, ainda mais eu que era professora deles; acrescentei que esperava outra atitude na primeira aula, porque estávamos a começar muito mal e não admitia comportamentos desses.
Depois, disse-lhes que adoro ser professora e se eles quisessem faríamos "coisas muito giras", mas isso dependia deles e como iam ter de me aturar 172 aulas, seria melhor que tudo coresse bem, ou não seria agradável, nem para mim, nem para eles.
Durante todo o tempo, ouviram em silêncio e alguns começaram a pedir que lhes explicasse o horário! É incrível como estando no 6ºano, têm dificuldades em interpretar o horário!
Fiquei com a sensação que nos vamos entender bem, após o pequeno incidente.
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Agora vejam o que me apeteceu partilhar...
corria o ano de 85 mais coisa menos coisa. o meu mano mais velho estava num plenário de trabalhadores na EDP, as coisas não andavam bem. depois de discursos e intervenções calorosas o meu mano estava cada vez mais desejoso de intervir e tinha manifestado algumas vezes essa intenção, mas outros se sobrepunham o que o ía deixando ansioso. a páginas tantas, alguém se pronunciou apontando na sua direção: - agora fala o preto! O meu mano gelou... Engoliu em seco e tentou respirar. agora transpirava. quando finalmente se recompunha a fim de responder à letra, levantou-se o colega mesmo atrás dele e começou a sua intervenção. o seu apelido era preto.
nas nossas conversas quentes e saborosas em família entre muitos funjes ainda nos rimos durante uns tempos deste episódio...

MBATI KALONDO KUITINDI

MBATI KALONDO KUITINDI "O cágado não sobe ao tronco".
Sempre que se encontre um cágado por cima dum tronco ou coisa parecida devemos pensar que alguém aí o colocou. Significa também que os detentores de cargos, sejam eles..."
postado por MESU MA JIKUKA em Provérbiosangolanos
um provérbio que encontrei no bloger Canhanga hoje. A sabedoria dos nossos mais velhos a chamar-nos à responsabilidade.
Agora,em tempo de eleições, é bom lembrar.

imagem retirada do bloger pitigrili
é tão só odia do meu aniversário!!! por isso mesmo especial, e como sou de sessenta também vou nos 49. Então 09-09-09 49 anos. Não é mesmo especial? Faz-me crer que daqui a alguns anos farei 99 no dia 9 9...

Gerónimo Como Ele Próprio

estive quase tentada a colocar a interrogação à frente do título...
Depois de uma breve hesitação resolvi acreditar e porque acreditei não interroguei.
Acompanhei-o ontem numa viagem com o convite extensivo a todos os que o quisessem acompanhar e eu segui-o. Foi agradável a sensação de conhecer. Convenceu-me a sua verdade e honestidade. Achei-o convicto. Gosto de pessoas convictas.
Ele tal qual é. Se não me vier a desapontar, parabéns, ou muito prazer, gostei de o conhecer e obrigada pela viagem. Daqui a uns tempos espero eu. Voltaremos a falar deste viajante.

meu amor, hoje é o teu dia

fomos cúmplices da loucura sã da ingenuidade
amantes da aventura pura e arrebatora da paixão.
pela vida na vertigem do desconhecido que nos tenta
demos mais uma vez as mãos para o salto sem rede.
era seguro dizias tu, com a sabedoria dos verdes anos
enquanto deambulavas enebriada no turbilhão da dúvida
sedenta da razão da certeza que te acompanha
e te faz dona de ti e do futuro
e eu...acompanho-te como afinal sempre soube que o faria
fecho os olhos
e sonho contigo na noite iluminada de esperança
os sonhos que de dia se desviam do real
e parecem despir-se de sentido
então, juro a mim mesma vezes sem conta,
que não não e não te acompanharei
mas abraço-te esquecida e marcho contigo cria minha
em nome da felicidade que se faz minha quando tua
e consigo sorrir
meu amor, hoje é o teu dia
um pouco de poesia. este do Antero Abreu fui hoje buscar ao blog Angola: os poetas

Libertação

das mentiras loucas que me envolvem
vou quebrando os liames um a um
e da angústia da libertação
nascerá um dia a paz
do ser e do não ser.

das mentiras vãs que me amordaçam
os véus arrancarei a um e um
tristes despojos dum passado velho
que em mim se quis perpetuar.

e deixarei um rasto de desilusões,
um caminho de lágrimas choradas;
um pouco do que fui em cada dia.
mas ficarei seguro e afirmado.
com a serenidade dum buda na floresta,
com a nudez dum Cristo no redil.

Antero Abreu

é claro que a seguir fui comprar a EP e quem vier atrás que apague as luzes

sim, é que aqui para Cascais, Concelho,não há onde se compre a dita para os três dias, senão Cascais na vila e na Parede. Liguei para Tires, nada... entretanto quando liguei para a Parede é que me disseram que Tires estava fechado. E lá fui eu à hora de almoço. À conta disso estou eu aqui sem almoçar... A seguir meti-me num taxi. Não é que o taxista não soube fugir da EN e que por um triz não chegava a horas de abrir a loja. Bem já era azar demais... fazendo bem as contas, os dezanove euros mais o taxi quase que chegava ao preço de amanhã, os vinte e oito euros... mas olha, deu para desanuviar e dar ânimo aos camaradas da Parede. Apetece-me dizer camaradas. Eram mesmo.um ar feliz. Velhos vivos de vida, os camaradas. E com um aperto de mão forte saí com o exemplar do avante na mão com o programa das festas e a minha EP.
é só uma? sim por enquanto. não sei quem mais vai. mas a minha já a tenho. e quem vier atrás... e remata ele; que apague as luzes!

quem me pode substituir segunda feira de manhã?

olá,
sim,sou eu. sim,sei que falei contigo ontem... mas, recebi mesmo agora uma chamada...
pois, a minha filha casa na segunda feira.
sei que hoje é já quinta,mas só soube agora... ela acabou de me ligar a comunicar que vai casar...
pois,vou precisar de folgar na segunda de manhã e assim de repente gostava de saber se mepodes substituir.
ah, vais levar o teu pai a Viseu, pois sei.
é complicado...
olha, vê o que podes fazer, ainda estou a digerir...
estás azamboada?
pois imagino...
beijinhos.
até logo.

com ou sem alianças pouco importa...

mãe,(felicíssima) tenho uma coisa para lhe contar.
Foi o ... o meu neto,queria eu dizer mas não me deixou acabar.
mãe, é só para dizer que vou casar (entusiasmo)
.............
sim, na segunda feira às onze e meia! (ainda mais feliz)
...................
mãe!
pensava que era ele que finalmente não tinha chorado quando o levaste para a creche...
não, ele voltou a chorar e só o deixei à porta, já não fiquei, mas mesmo assim chorou...
então e não são precisas testemunhas?...
não não é...
e.. e é assim?..
ah, se a mãe quiser ir..
ah, se eu quiser ir... está bem...
beijinho filha.
beijinho mãe.
bem... hoje é quinta-feira...

hoje luther king







(...)"Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".
Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.
Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caractér.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente pronunciam palavras de ... e recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.
Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".
E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!
Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!
Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!
Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!
Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!
Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi.
Que de cada localidade, a liberdade ressoe.
Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!"
(Versão Original)http://www.arqnet.pt/portal/discursos/agosto05.html

Mãe hoje vou começar por ti

Com o Sebastião da Gama
no Pequeno poema
assim...

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

um cheirinho de férias

foram três dias e umas férias inteiras em vila meã


"a arquitectura rural portuguesa está bem patente nos edifícios que constituem o Hotel.
O edifício do armazém onde se encontra a adega, os lagares e o alambique constituem um "museu do vinho".
A sobriedade está presente em todos os recantos. As imensas salas, os 23 quartos, as zonas de passagem, guardam muitos pormenores da vida anterior desta casa vitivinícola.
Tudo foi pensado em função do conforto daqueles que chegam...
Dentro da tradição os olhares perdem-se nos pormenores desta casa.."
é esta a apresentação que faz o convite a este recanto e que faz jus a este local privilegiado
foi aqui que me deleitei e me rendi

O meu primeiro dia

Acordei a tempo de festejar. Ouvi o telemóvel. Era a filhota. Ah é verdade mãe, há pouco nem lhe disse nada, sabe que dia é hoje? – Não me ocorria nada na altura, e de seguida ela rematou logo; é dia dos avós. Boa, disse radiante. É a minha primeira vez. Bem, é que a mãe amanhã, se pudesse, ia buscar o menino. Claro que sim. Claro que vou. E foi assim que na segunda-feira fui à creche ter com ele entre muitos beijos e abraços e conversas de avós com outros comecei a minha semana e festejei o meu primeiro dia dos avós.

estrelas do mar

em visita, entrei na ondulação do sete mares e dou com o semeador de estrelas. em simbiose perfeita fundem-se e mescla-se, a arte no mural, com a sombra nocturna da estátua do semeador numa visão magistral em que este cumpre a sua tarefa. faz-me assim viajar até à visão desperta pela frase duma pequenina de três ou quatro anos de idade. A miúda que me tira da dormencia das enfadonhas viagens de rotina e me faz olhar através da escotilha. mãe olha tantas estrelas!!!... dou então por mim a contemplar um milhão de estrelas a brincar sobre o azul límpido do mar. apercebi-me que nunca tinha visto antes estrelas de dia. fazia aquele trajecto há pelo menos três décadas e nunca as tinha visto. julgo que nunca mais deixei de as contemplar. agora já não me bastam as dos céus da noite.

mukandas do monte estoril

passei pelas mukandas do monte estoril e foi a primeira vez que ouvi alguém falar dos loengos. depois conto-vos

olhos de lince

estranhamente abracei por serem os olhos do meu filho. olhei-os repetida e demoradamente. quase me revi. são eles. no entanto, o nome não correspondia. abracei-o na mesma afinal. o caderno era interessante. vou-te adoptar. afinal gosto dos teus olhos de lince.

voltamos em fevereiro

apanhanho-me no corpo de deus entre as ruas a admirar e como digo sempre, a saborear momentos, entre paragens e olhares prolongados de prazer, tudo o que me rodeia. o filho não deixa de comentar o facto, o que me leva a perceber a origem de ser sempre turista da minha própria cidade. ele acha no mínimo cómica, a forma de estar e sentir, nas visitas de lugares sempre vistos, com o mesmo espanto de uma primeira vez. reafirmo agora em tom de graça mas séria: não brinques é que eu sou de facto turista, vim de férias e regressarei em Fevereiro. era o espírito que nos envolvia na nossa chegada e em que acreditamos durante anos. o regresso que ainda está por acontecer e já lá vão 35 anos. perguntem à mãe.

a raça é humana

às vezes a turbulência dá-me para passar pelas brasas. é que fico tão moída, que de facto até me faz bem. com os solavancos acabei adormecendo e acordei com dia festivo. feriado mesmo. e a festa por estes lados comemora o poeta grande e as comunidades. antes dizia-se ser pelas raças. mas talvez tenham chegado à conclusão do absurdo que era o plural de um nome que só existe no singular, a raça. é que no planeta em que habitamos só existe uma raça, a raça humana. pelo menos na éspécie a que refere a data comemorativa. aqui não posso deixar de pensar nos meus companheiros angolanos que ainda referenciam este equívoco e no cartão de identidade.

calundginge

mãe hoje não posso deixar passar. tenho-me lembrado muitas vezes daquela música que só de si e do pai ouvi. a que ouvias em criança ao luar, quando os avós após o jantar faziam o serão lá fora com o cheiro da terra e as crianças a brincar. eras pequena e juntavas-te aos outros iguais, os filhos dos trabalhadores que vigiavam da possível e indesejada visita do rei da mata, o leão, ao mesmo tempo que se faziam acompanhar das mulheres e suas crianças. de cócoras encaixados como uma carreirinha de formigas enchiam o espaço com a lenga-lenga que atacava e sossegava o coração dos mais velhos. e lá estavas mãe, entre risadas cristalinas a partilhar provavelmente a melhor parte do teu dia que partilhaste connosco e com os teus netos e que vou deixar aos meus netos como sempre vocês nos ensinaram:

calundginge, seiá seiá,
solama nhõdukoleté
usandgé ua téka oku... tianwa
usangdé ua teka oku... tianwa

formiga, arrasta-te arrasta-te (e andavam em serpentina a rastejar de rabo em cócoras)
esconde-te só aí que veejo-te...
a lenha partiu ali, .... partiu (trás) e caíam todos para o mesmo lado
a lenha partiu acoli... partiu (trás) e caíam todos para o outro lado

o rodrigo é um leão

sexta feira renovei a alma. a filha presenteou-me com o privilégio do bálsamo que é a voz licorosa doce forte e macia, da ana a encher a sala preto e prata. doze focos enebriavam numa névoa os músicos e a sinfoneta dáva-lhes o colo aconchegante que os fazia sobressair. a ana entrava e saía apresentando e surpreendendo a cada nova ou já conhecida sonoridade ou letra. ficavamos presos e tentados a acompanhar apenas com pequenos movimentos dos lábios pois a nossa voz sufocada nem se atrevia a sair presa pela emoção e momentos de plenitude e mesmo extase. os convidados cumpriram, mais o argentino confesso. lembrou-me o palma que me enche as medidas.
o rodrigo é um verdadeiro leão.
o filhote partilhou comigo esta aventura.
obrigada.

subscrevo uma reflexão matinal calma sobre as europeias

acordei e fastei um pouco a cortina para espreitar a paisagem foi quando dei com esta nova personagem bastante interessante, diga-se. falava no que sublinhava ser, uma reflexão matinal calma sobre as europeias. ouvi-o atentamente. tinha formado uma opinião ontem àcerca dos resultados da aventura. afinal havia quem partilhasse e de forma clara, da minha opinião e mais, que expusesse os meus pensamentos de forma genial. claro que aproveitei e mandei logo a missiva aos companheiros mais próximos.
resultado esclarecedor, a maioria engordou com as fatias gordas da actual minoria vencedora.
a maioria emagreceu perdendo fatias para as pequenas minorias vencedoras. continuamos ricos e mais fortes agora há que não perder o rumo nas próximas estações ou apeadeiros. se calhar nem valerá a pena fazer descer alguns passageiros porque a entrar gente nova ou nova gente nada se acrescentará muito pelo contrário só fragilizará. os novos não terão nem tempo para abrir o farnel.

a cunha

estava ontem na pausa a jantar e apanhei mais ou menos isto do passageiro que estava na outra cabine numa amena cavaqueira. era o Júdice mais um consultor e outros que não registei, mas esta ficou. tinha a ver com corrupções e corrupçõesinhas. as grandes e as pequenas se se poderá rotular assim. aqueles que se viciam no "jeitinho", não pagam mais do que um imposto dizia o Júdice. é que por vezes até pagam o imposto por coisas a que têm direito e a que teriam mesmo sem pagar. pela boa disposição, amabilidade, celeridade, competência do servidor (do estado por ex:) o servido (cidadão) paga imposto... e nem seria preciso. deixou-me a pensar durante o resto da viagem, afinal a cunhasinha não será mais que um imposto.

gestão conceptual

entra um fulano com um cartaz, diz que entra numa corrida mas não defende o ideal, pois a vantagem está em entrar primeiro, custe o que custar. então acotovela todos os outros, empurra, pisa, resmunga, berra, mas o que importa? todos fazem o mesmo... fazer figura? ninguém repara, já é normal, o que interessa é confundir. não interessa para onde é a corrida, o que levo na bagagem e se vai alimentar as almas. também já ninguém quer saber dos conteúdos. interessa mesmo a forma. vertical, linear, profile, minimal, glamour, e outros afins. gestão conceptual o alimento do espírito pobre ou do pobre de espírito. tudo isto porque é tempo de campanha(ã)

amigo ary

no dia em que me cruzei com ele tive a certeza de que nunca me abandonaria. as palavras soavam bem. tínhamos sentimentos de palavras comuns, assim se encontra (faz) novos amigos. assim fiquei sua amiga como tantos que ele tem sem conhecer. assim, amigo ary a maior parte dos teus recados passei-os aos filhos e aos amigos mas digo-te que este, eu repeti muitas vezes:

SONETO PRESENTE
Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.
Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.
Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.
Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.

De que cor é o silêncio?

Tia, diz a pequenita do escuro brilhante dos seus olhos, bem em cima dos seus seis anos, e com a esperteza de quem já se passeia de Magalhães; - de que cor é o silêncio, tia? Olhei-a, e deixei escapar a resposta que mais se aproximou do que mais perto se encontrava no meu baú de memórias: - silêncio é de ouro, ouro, é ouro respondi. Não tia, retorquiu ela. É verde! Afirmou com tal segurança, que me deixou estupefacta. Verde? interroguei. Sim tia, é que por exemplo, explicava ela, a tulipa é vermelha, mas se virmos bem, também é verde, o caule é verde, mas não fala, está calado, como o verde do campo com as flores coloridas. Então, o silêncio é verde!... Olhei-a com os olhos arregalados, a que me respondeu com um sorriso rasgado e zombeteiro; - Não fui eu que inventei, ouvi contarem esta história de um livro, quando fui no outro dia a uma visita à biblioteca. Respirei de alívio, a miúda era normal.

sorrisos e imagens luminosos

apanho-me de vez em quando a sorrir... dirão os que me conhecem; - também não será assim tão difícil... pois; mas hoje o motivo é de tal modo agradável que me faz sorrir sempre da mesma maneira, daqueles sorrisos luminosos, que fazem bem, sabem? sabem bem! - de uma maneira e de outra, saber e sabor. Pois o motivo é óbvio, já recebi algumas fotos do casamento da neusinha, estou a sorrir... só com alguns flashs. agora fico toda roída para ver os restantes.

mnemonicando

estiveram a limpar o estaminé, o chão ainda está molhado, limpo, cheiro, sonasol, festa, festa? jantar, entrada na divisão, alegria, limpeza, interior... desabafo, descanso, sossego, conforto, cheiro, bom... tá-se bem!

seguindo... encontros

SINTO-ME ANCORADA NO PRESENTE....NÃO FOI POR MINHA VONTADE! O BARCO BATEU NO FUNDO E ESTAS ÁGUAS NÃO TÊM MARÉS....PERMANEÇO SENTADA, OLHANDO A VIDA A PASSAR.... O PASSADO FICOU DISTANTE POIS SABE QUE AGORA NÃO O QUERO VER.... O PRESENTE PAIRA NA MINHA FRENTE, MUDANDO DE CÔR E DE FORMA A CADA MOMENTO....NÃO ME ADMIRO POIS APENAS ESTÁ A MOSTRAR-SE O QUE É....QUANTO AO FUTURO.....TALVEZ SEJA AQULE NEVOEIRO ALI AO FUNDO. VAI-SE BALANÇANDO COMO SE NÃO SOUBESSE PARA ONDE SE DIRIGIR....TAMBÉM ESTOU SEM CURIOSIDADE DE CONHECER O SEU RUMO. EU APENAS ESTOU AQUI, ANCORADA NO PRESENTE, SEI QUE POR ALGUM TEMPO, NÃO SEI QUANTO....ATÉ A ALMA ME ENSINAR COMO TIRAR O BARCO DESTE PONTO....NÃO FAZ MAL....JÁ NÃO ME INTERESSA....

aviso ctt

e do outro lado a companheira de viagem dizia:
deve ser a única que ainda não sabe que todos estamos a receber esse aviso... não fomos notados e por isso podemos, caso queiramos, recorrer. só tivémos um ponto... já estamos a receber curriculos e o requerimento. eu estava muito longe destes novos acontecimentos.
vou-me apressar. toca a actualizar o curriculum, é que já são cerca de 22 anos de casa...
ainda bem que perguntei o que queria dizer este aviso. Atenção, vejam sempre a caixa de correio, não só o electrónico, abram as cartas e acima de tudo tentem perceber o que lá está, pode ser importante. É que a experiencia está a dizer; - podes meter conversa com uns quantos que saibam o importante, mas ninguém falar do que é mais importante!

na viagem

cruzei-me agora com um novo companheiro de viagem, e trazia na bagagem esta delícia: "*QUE A VIDA FOSSE A MESMA FESTA SEMPRE * *E OS OLHOS ENCONTRASSEM TEU SORRISO* *Pedro Barroso* * *
torna-se cada vez mais obrigatória a paragem nesta estação. dar uma voltinha, desenferrujar as pernas, "cuscar" um pouco, saber as novidades, actualizar-me. tá-se bem!

mestres

numa destas encruzilhadas encontrei um mestre. entre muitas coisas que vai fazendo na vida dirigidas aqui aos viajantes e que aprecio, gosto sobretudo dos temperos que usa nas coisas simples como a economia. sim, simples, porque ele fa-las simples, quando as trata, "tú cá, tú lá", se não, vejam como é que ele as tempera, e nos aguça o gosto a vivê-las. estudantes, sigam-lhe as pisadas. quando disse mestre não estava a brincar...
ora então vejam como ele fala:_«O zen e a gestão» 24.01.2007«Cada vez mais há pessoas com sentimentos de insegurança e de incerteza num mundo claramente materialista e com uma intensidade de trabalho muitas vezes inumana. É cada vez mais difícil equilibrar trabalho, família e prazeres de tempos livres numa sociedade concebida para resultados. Muitos se interrogam se não haverá alternativa. Se não poderíamos alcan- çar os mesmos ou até melhores resultados por outros processos. Em consequência, muitas pessoas encontraram nas práticas orientais milenares, como o zen, o chi-kung, o ioga, a meditação budista e outras, o seu equilíbrio físico e psíquico. O Zen tem uma influência enorme na cultura japonesa, nomeadamente na simplicidade das coisas. Veja-se um jardim japonês. A harmonia e a beleza da simplicidade. O mesmo acontece na pintura, na arquitectura, na cerimónia do chá, no kyudo (tiro ao arco) ou nos katas de judo, aikido e kempo. O zen é um exercício físico-espiritual cujo aspecto físico é prioritário no início, mas que evolui depois para o espiritual, aliás como em quase todas as práticas de artes marciais. Zazen é meditação sentado, basicamente estar sentado em silêncio e libertar a mente. Esta é a base da prática do zen. O budismo é a origem do zen e influenciou praticamente todo o Oriente, em particular a Índia, a China e o Japão. Pare de ler durante um minuto e experimente deixar de pensar durante esse tempo... Conseguiu? Quantos pensamentos estima que teve durante este minuto de pausa? Que pensamentos teve? Uns foram certamente sobre o passado e outros sobre o futuro? Esses pensamentos resolveram alguma coisa? Ou só serviram para o preocupar ainda mais? Alteraram a realidade das coisas? E será que há realidade? Note que tudo é mera percepção da mente. O que é bom, o que é mau. Não há por isso uma realidade. Por exemplo, você pode apreciar uma determinada pessoa, mas um colega seu detestá-la. Não se trata da mesma pessoa? De uma mesma realidade? Pois, mas é a percepção de cada um de nós que cria o nosso próprio mundo. Estamos no mesmo planeta, na mesma empresa ou na mesma família, mas as nossas percepções são diferentes de quem vive e convive connosco, por isso, não vivemos o mesmo mundo, mas mundos paralelos. Por tudo isso, para um mesmo facto, um gestor pode encará-lo como uma ameaça e um outro que trabalha numa empresa concorrente vê-lo como uma oportunidade. O praticante de zen não vê as coisas como boas ou más. Procura essencialmente estar bem consigo mesmo e com o mundo que o rodeia. A melhoria contínua é uma base fundamental. Esse é o caminho do zen e das artes marciais. E, na gestão, não deve ser assim também? No mundo actual cuja constante única é a mudança, se uma empresa não segue esta via não sobrevive a prazo. Daí a importância do zen e das artes marciais na gestão. In Diário de Notícias By João Carvalho das Neves Professor catedrático, departamento de Gestão do ISEG

a poesia sabe bem

HOJE VOU DAR UM BANHO Á MINHA ALMA COM TUDO O QUE ELA MERECE - SAIS CHEIROSOS, MÚSICA BAIXINHA, PÉTALA DE FLORES ESPALHADAS NA ÁGUA E VELAS, MUITAS VELAS PARA QUE A LUZ SEJA DOCE E QUENTE. DEITO-ME NA BANHEIRA E DEIXO QUE PELOS POROS ENTRE TUDO O QUE É BOM E BELO. FECHO OS OLHOS....VEJO RENASCER A ALEGRIA, O INÍCIO DAS RAÍZES DA ESPERANÇA....ATÉ UM RAIO DE SOL QUE HÁ TEMPOS ESPERAVA A SUA OPORTUNIDADE DE ILUMINAR OS RECÔNDITOS MAIS ESCUROS DESTA ALMA EM SOLIDÃO. A POUCO E POUCO, SINTO-ME LAVADA POR DENTRO....EU NÃO SEI ONDE SE RECOLHE A MINHA ALMA QUANDO ARREFECE...MAS VEJO-A APARECER DE NOVO...RISONHA, LEVE, CRENTE E SONHADORA...VEM DEVAGAR, PERCORRENDO TODO O MEU CORPO, E QUANDO CHEGA AO MEU OLHAR TRAZ CONSIGO O CORAÇÃO. ESTOU PRONTA PARA RECOMEÇAR....ESPERA SÓ UM POUCO, VIDA, VOU A CAMINHO!
carlos drumond de andrade

encontrei!...dotecom

bem, enquanto espero que o óscar se despache da procuradoria geral da república, o jokas termine a visita de estudo para ver o recado que lhe deixei na caixa de e-mail, e a patrícia me diga se o isaac ficou bem hoje na creche, fica registado: o penim estva mesmo aqui ao pé e eu nem o via, bem, traz muita bagagem. fiquei encantada! acreditem; aqui no http://dotecome.blogspot.com/ nem imaginam o que tem para mostrar... eu sabia, este companheiro quando me mostrou a ponta do véu com a China, vi logo o monumento humano, bem!... (queria mudar "a ponta do véu... "do iceberg"?... também não fica bem. Ok, não encontro agora nada de melhor" é difícil falar assim de grandiosidade...

à procura do caçador de momentos

esta era a conversa quando nos encontramos há temos: - Penso que já se percebeu que sou apaixonado por fotografia.
Por mero acaso obtive exemplares de uma revista, "O Panorama", publicados nos anos 30 do século XIX, onde fui encontrar as que são, talvez, as primeiras referências a
Daguerre e à invenção da fotografia publicadas em Portugal.
Têm um encanto irresistível (pelo menos para mim) pelo que decidi partilhá-las.
fantástico! gostei mesmo disto. e não acham que devia andar a ver se o vejo?

onde estás companheiro?

lembrei-me hoje do penim, gostava de o acompanhar, ele deve estar perto e apetecia-me vê-lo. Espreitei, e no meio do pessoal descobri uma coisa gira no meio das conversas que vou aqui mostrar: então é assim..."D'ora ávante porém, sem palheta, nem lapis, sem preceitos artisticos nem dispendio de horas e dias, que digo, sem mover a mão, sem abrir os olhos e até dormitando, poderá o viajante enriquecer a sua pasta com todos os monumentos, edificios e paizagens, das longes terras, e o amante mais hospede das bellas artes, obter por si proprio o retrato dos seus amores; tão ao natural como o traz debuchado no coração, e mais natural ainda porque não lhe faltarão as miudesas mínimas que a vista não alcança e que só a lente lhe poderia revelar. Os nossos leitores nos estão já aqui pedindo impacientes a solução de tão incrivel problêma; o que podemos é apontar-lha, isso vamos fazer.
.....
Revista "O Panorama", 16 de Fevereiro de 1839, Vol. 3, página 54.", espectacular, não acham?
entretanto, desculpem mas tenho que continuar a procurá-lo...

18 de Maio e coisas de mãe babada

Hoje nada poderá ofuscar o que assinalo nesta data. O meu primeiro filho. Há 25 anos. O óscar faz hoje 25 anos. Ao telemóvel e ele nada de atender... toca o outro, a mana querida diz: parabéns mãe!!! obrigada mana, estava a ligar ao óscar e ele nada. mando a mensagem. mas ainda a cantarolar cá para mim o que tinha ensaiado para mim mesma, como começaria a mensagem de parabéns para o filhote, saía mesmo espontâneo, digo eu para mim, mas o certo é que só vinha o sardet mansinho com o gosto de ti até à luuuaaa!!! e eu também a pensar... só até à lua??? bem, mas a canção não saía do pensamento. ainda cá está, acho que fica todo o dia... Logo, logo, ainda mal desligava a Nitas e já ouvia o toque de mensagem. penso que nem deu tempo dele receber a minha a dizer simplesmente: Bom dia filho. parabéns. amo-te muito. Muito ensaio, muitos pensamentos a música constante gosto de ti até à luuuaa... e resumi naquele amo-te muiitooo, tão forte de doer. Amo-te muito filho. A mensagem do filho acordou-me para perceber, ele não estava a dormir, não estava a festejar, não estava na fac, sim na faculdade, eu gosto de escrever assim e pronto. e como dizia, a mensagem do oscar: mãe já lhe ligo, estou na procuradoria geral da república. senti-me importante, o meu filho a fazer pela vida, quase doutor, é licenciatura, pronto! mas o orgulho de mãe é assim, dizemos mesmo: ah, e tal, o meu filho está na pública, na clássica e está a acabar direito. já tem um estágio prometido e tal. Ah, meu Deus, estou mesmo babada. Bem, hoje é o dia dele. mas se vos contasse, e falo para todos os companheiros de viagem. É que eu tenho três. Três filhos. E um tesouro; o meu neto. da Patrícia. a do meio. E o meu pequeno homem companheiro o Jokas que está lindo e já está no 11º? e a patrícia que já tirou gestão no ISCTE e já trabalha numa multinacional com carreira de sucesso? Bem coisas de mãe babada. Companheiros, entendam...
A belota viaja no banco mesmo ali à frente e às vezes pomo-nos na conversa. estava ela com um desabafo feminino sobre percalsos femininos e eu entrei na dela e contei-lhe uma das minhas peripécias que vou partilhar:
xinha disse...
belota,também tenho uma boa, fora claro as muitíssimas de mamas ao léu na praia e fitas do sutiã que se desprende e vem parar abaixo das blusas, enfim... pois esta fez-me sair a meio do casamento do sobrinho da minha cunhada, na nossa cultura o meu sobrinho claro está. bem, malambas dessas à parte, estava eu muito gira, com um vestido já usado mas que ainda não tinha aparecido pelo menos àquele público, com um pregador a disfarçar e muito bem o que a magreza naquela altura tinha provocado ao vestido antes justinho, e ainda mal tinha acabado o cocktail de entrada e fotos de praxe, não fosse eu morar tão perto não teria voltado. Claro que disfarcei bem com a écharpe, mas sem o querido pregador ao peito estava com duas alças caídas que não se seguravam nem por nada nos novos ombros ossudos e pior umas tangerininhas teimosas meio moles já nos meus quarentas a tentarem sair da casca,lêia-se mamitas à most

emailando

emailando aqui desemailando ali, encontrei esta hoje das muitas engraçadas que esta minha amiga muito bem-humorada me costuma enviar e que me póem bem disposta durante esta viagem:
Numa estação de rádio canadiana, dão um prémio de 1000 a 5000 dólares à pessoa que contar um facto verdadeiro e que tenha ocasionado um verdadeiro embaraço, daqueles que nos fazem apetecer enfiar-nos pelo "chão abaixo". Esta história recebeu o prémio máximo ou seja, 5.000 dólares.
Tinha consulta no gineacologista marcada para essa semana, mas tinham ficado de me avisar o dia e a hora. De manhã cedo, recebo um telefonema da empregada do consultório informando que a minha consulta tinha passado para esse mesmo dia de manhã às 09h30. Tinha acabado de tratar dos pequenos almoços do meu marido e crianças e ía no momento começar a despachar-me, eram precisamente 08h45 - fiquei em pânico, não tinha um minuto a perder.Tenho a certeza que sou igual a todas as mulheres e que temos todas muito cuidado e uma particular atenção com a nossa higiene pessoal, principalmente quando vamos ao ginecologista mas, desta vez, eu nem sequer tinha tempo de tomar um duche. Subi as escadas a correr, tirei o pijama, agarrei um toalhete lavado e dobrado que estava em cima da borda da banheira, desdobrei-o e molhei-o>passando-o depois, com todo o cuidado, pelas " partes intimas" para ter a certeza que ficavam o mais fresco e lavado possível. Joguei o toalhete no saco da roupa suja, vesti-me e "voei" para o consultório. Estava na sala de espera havia uns escassos minutos quando me chamaram para fazer o exame. Como já sei o procedimento, deitei-me sem ajuda na marquesa e tentei, como sempre faço, imaginar-me muito longe dali, num lugar assim como nas Caraíbas, ou em qualquer outro lugar lindo e pelo menos a 10.000 klms daquela marquesa . Fiquei muito surpreendida quando o meu médico me disse: "Oh lá lá, Hoje de manhã fez um esforço suplementar mas ficou toda bonita!" Não percebi muito bem o cumprimento, mas não respondi. Fui para casa nas calmas e o resto do dia desenrolou-se normalmente, limpei a casa, cozinhei, tive tempo de ler uma revista, etc. Depois da escola, já acabados os seus deveres, a minha filha, de 6 anos, estava preparada para ir brincar quando gritou da casa de banho:"Mamã! Onde é que está o meu toalhete ?!" Gritei de volta que tirasse um toalhete do armário. Quando me respondeu, juro que o que me passou pela cabeça, foi desaparece da face da terra, o comentário do médico, martelava na minha cabeça sem descanso a minha filhinha disse-me só isto: "Não mamã, eu não quero um toalhete do armário, tenho falta é daquele que estava dobrado na borda da banheira, foi nesse que eu deixei todos os meus brilhantes e as estrelinhas prateadas e douradas!!! SORRIA, ENTÃO A VIDA NÃO É BELA? ..... CLARO QUE É,> > PRINCIPALMENTE SE>TIVERMOS A "DITA CUJA" TODA ESTRELADA!

Partida a meio do caminho na viagem

Tinha que ser assim.

Ainda não fez nenhuma postagem!

Estava sem saber como. Aos 48 quase 49 e ainda sem ter começado o começo. Era partida, chegada, meio do caminho, viajando simplesmente. O entretanto era o começo e isso tornava as coisas mais complicadas. É que ninguém sabe como começa. Apanha-se simplesmente no caminho. Depois é só se deixar levar. Mas é assim tão simples? É claro que não, e aí é que são elas.